Uma
tecnologia simples, porém útil. É assim que o pesquisador da Universidade do
Estado do Amazonas (UEA), Júlio Tota, define o analisador
de gás infravermelho, aparelho desenvolvido por ele e estudantes dos cursos de
Clima e Meio Ambiente, Engenharia Eletrônica, Metereologia e Química da UEA e
bolsistas do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic) e da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
No
aparelho, uma câmera com um feixe de infravermelho interage com as amostras de
ar. A intenção dos pesquisadores com esse analisador é transmitir dados
contínuos e receber e transmitir radiofreqüência para monitorar a emissão de
gás carbônico (CO2) na região amazônica. “Quando o aparelho fica no local,
geralmente o colocamos em cima do que se quer medir (floresta, Reservatório de
Balbina, igarapés, rios etc). Para facilitar, usam-se cabos longos, que podem
chegar até a 100m de comprimento. Na Amazônia, por ter muita umidade, é difícil
lidar com os cabos aqui. Além disso, as descargas elétricas podem queimar os
aparelhos”, pondera Julio Tota, mestre em Metereologia e doutor em Clima e Meio
Ambiente pela UEA.
Até o fim
do mês de outubro, a cidade de Manaus começará a usufruir da praticidade do
analisador. Em uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e
Sustentabilidade (Semmas), a equipe de Tota implantará o aparelho em algumas
áreas da cidade. A intenção, como explica o pesquisador, é identificar e
estabelecer as primeiras regiões emissoras de CO2 na capital amazonense. Outro
objetivo do aparelho é quantificar as emissões de gases em áreas de floresta
nas unidades de conservação em Manaus. A previsão é de que o analisador seja
instalado em locais como o Parque do Mindu, o Horto Municipal e a Reserva
Adolpho Ducke.
Com a
vantagem de reduzir os custos e otimizar o estudo, o aparelho começou a ser
desenvolvido em 2010 como um método alternativo. A dificuldade de instalar os
cabos na floresta também foi um ponto importante, segundo Tota. “O nosso
objetivo é deixar o custo baixo e facilitar a manutenção e operação do
aparelho”, esclarece. “Colocamos um transmissor de rádio de ondas longas de 2.4
Gigahertz junto ao analisador. Nele, existe uma antena para substituir o cabo.
No computador, é colocada a recepção do dado. Hoje, a distância estabelecida é
100, 200 metros, mas estamos fazendo pesquisas para alcançar 10 km”, acrescenta.
A tecnologia wireless dos analisadores de Tota já começou a ser colocada em prática. Em breve, o aparelho será colocado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no interior do Amazonas, em um convênio da UEA com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Max Planck Institute, da Alemanha. “É um projeto inovador, que visa um observatório de torre alta na região. Estamos em fase de implantação, com metade dos recursos liberados pelo Max Planck e a outra metade pelo Brasil. Estamos garantidos pelos próximos cinco anos. É um conjunto de torres em volta de uma maior, de 320 metros”, explica.
Chance de
ouro
Para o
estudante do oitavo período de Engenharia de Controle e Automação, Marcelo
Andrade, a oportunidade de trabalhar em um laboratório com a equipe do
professor Tota é única. “É a chance que eu tenho de aplicar o que estou
aprendendo em sala de aula. E essa tecnologia é muito interessante, e não muito
conhecida, apesar de já existir em outras partes do Brasil. Estamos dando um
passo muito grande”, acredita.
Fonte: http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2012/10/analisador-infravermelho-vai-monitorar-gases-na-amazonia.html

